Trabalhar com amor na vinha do Senhor!

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Cardeal Orani João Tempesta
Arcebispo do Rio de Janeiro (RJ)

No 25º. Domingo do Tempo Comum somos chamados a trabalhar com amor na vinha do Senhor! Na Vinha do Senhor há trabalho para todos e Ele está sempre pronto anos contratar. Dediquemos, como vinhateiros do Senhor, tempo e esforço para que frutifiquem as boas obras em favor dos mais humildes, pobres, necessitados, particularmente dos que sofrem às consequências trágicas da pandemia da COVID-19. Trabalhar na vinha do Senhor é uma missão que exige amor. Ninguém anuncia o Evangelho para receber elogios. A lógica de seguir Jesus e testemunhá-lo é a do operário do Evangelho que é recompensado pelo amor de Deus que transforma os corações!

A primeira leitura (cf. Is 55, 6-9) fala o que profeta diz aos israelitas exilados na Babilônia e a todos os que continuam pensando como eles: Convertei-vos, mudai a vossa forma de pensar! A conversão que ele pede não é somente um afastamento dos pecados, da corrupção moral, é muito mais: é a mudança radical no modo de formar o conceito de Deus. Logo em seguida o próprio Senhor toma a palavra e explica o motivo pelo qual ele se comporta de forma inesperada com aqueles que erraram: “É que os meus pensamentos não são os vossos pensamentos, os vossos caminhos são diferentes dos meus. Tanto quanto o céu domina a terra, tanto é superior à vossa a minha conduta e os meus pensamentos ultrapassam os vossos” (Is 55, 8-9b). O profeta convida-nos, dirigi-nos um apelo para que busquemos o Senhor, o invoquemos, voltemos para ele. Eis aqui, caríssimos, um grito tão necessário nesses tempos do homem cheio de si, preocupado consigo, embriagado pelos seus próprios feitos e tão confiado em suas próprias idéias! O profeta grita-nos, quase que nos prevenindo, ameaçando-nos: “Buscai o Senhor; invocai-o! Que volte para o Senhor!”(cf. Is 55,6).

A segunda leitura (cf. Fl 1, 20c – 24.27a) mostra que a Carta aos Filipenses revela as emoções mais íntimas, mãos doces, mais ternas do coração de Paulo. Ele suportou muitos sofrimentos e muitas contrariedades; agora se sente bastante cansado e começa a pensar sempre com maior frequência no encontro definitivo com aquele Jesus ao qual dedicou a sua vida. Deseja morrer para estar sempre com Cristo, mas este desejo contraria um outro: gostaria também de continuar trabalhando para a difusão do Evangelho e para consolidar as comunidades que fundou. Nós não podemos merecer nada diante de Deus, dele somente podemos receber dons e agradecer… Por que não alegrar-se, por que não ficar feliz, se um dia, mesmo quem tenha errado e errado por completo na vida, recebe de Deus o dom da salvação?

O Evangelho(cf.Mt 20, 1-16a) mostra a parábola de hoje que representa muito para as nossas comunidades. Na Igreja não deve haver aqueles que exigem mais “porque chegaram antes”. Ninguém deve sentir-se um “veterano” porque se converteu antes a Cristo. Todos são iguais. Ninguém é “o senhor da vinha”, pois todos são operários e se encontram no mesmo nível: não há motivos para superioridade. A reação que atribuirmos aos operários da parábola reproduz a nossa reação diante da bondade e da generosidade de Deus. Na “vinha do Senhor” trabalha-se gratuitamente, não se trabalha para ter um salário maior, não se pratica o bem em favor do irmão para ter o direito a um prêmio no céu. Seria egoísmo imperdoável servir-se do irmão pobre e necessitado para acumular méritos diante do Deus. O cristão deve amar porque descobriu como é bonito amar desinteressadamente, como o Pai. Fazer o bem pelo prazer de fazer o bem.

O Senhor nos procura, como o dono da vinha do Evangelho de hoje – e procura-nos com insistência: sai de madrugada à nossa procura, porque o amor tem pressa, o amor anseia encontrar a pessoa amada. E, como o amor é insistente, o Senhor vem sempre, a cada momento, em cada ocasião, sempre à nossa procura: pelas nove, ao meio-dia, pelas três… e até mesmo às cinco da tarde, quando o sol já se esconde, o Senhor vem novamente! Sempre é tempo de conversão, sempre é tempo de voltar para o Senhor! Aí, então, experimentaremos que tudo é graça, que o pensamento de Deus para nós é amor que não é mesquinho, que sabe tratar a todos com generosidade, fazendo primeiro no seu Reino aquele que tem coragem de crer no amor, de ir ao encontro do Senhor mesmo que seja a última hora! Ó mundo, ó humanidade, ó cristão, voltai para o Senhor! A única coisa que vos pede é que acrediteis no seu amor generoso e no seu perdão abundante e vos convertais de todo o coração!

Queridos irmãos e irmãs, este Evangelho nos mostra que o importante não é ter trabalhado dez ou apenas uma hora, o importante é ter aceito o convite com todo o coração, dedicando-nos depois, inteiramente àquilo para que fomos convidados. Os que estavam na praça às cinco da tarde poderiam também ter dito que não valia mais a pena ir até à plantação. O importante é que se acredite e assuma o chamado e que se comunique a alegria de pertencer aos operários da vinha do Senhor. Então, o “bom comportamento” não será uma barganha para comprar o céu, mas uma expressão dessa fé e alegria.

 

 

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