Paz: desejo de todos 

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Dom Edney Gouvêa Mattoso 
Bispo de Nova Friburgo 

 

Caros amigos, os desejos mais comuns no início de um novo ano são: o progresso e a paz. Almejamos um mundo mais justo, com condições de emprego, saúde e educação para todos, um anseio ancorado nos ensinamentos de Jesus e perpetuado na Igreja pela pregação dos Apóstolos e seus sucessores. 

Infelizmente, com a intenção de denigrir e ferir a Igreja, algumas pessoas insistem em afirmar que os seus ensinamentos do magistério doutrina são contrários ao avanço da sociedade e do homem individual. 

Desde o ponto de vista histórico, a Igreja é a instituição que mais zelou, e continua zelando, pelo avanço científico e integral da humanidade. Do seu seio surgiram as universidades, os hospitais, o serviço de assistência social e a previdência, entre outros. A religião católica é responsável por um contingente inumerável de voluntários e serviços sociais no mundo inteiro. Entretanto, se faz necessário discernir entre o que a Doutrina da Igreja ensina defende sobre o progresso legítimo, daqueles que paralelamente vão surgindo, oriundo de correntes que visam somente o poder e o lucro. 

Para auxiliar-nos nesta reflexão, alguns questionamentos são imprescindíveis: O que se pretende com os ditos “avanços da modernidade”? O simples incremento da técnica em vista do lucro, ou a construção de uma sociedade mais humana e fraterna? Qual é o verdadeiro caminho para a paz? O que queremos de fato? 

O Magistério da Igreja, na voz dos últimos Papas, é claro ao dizer que é impossível pensar o verdadeiro progresso separado da vontade de Deus para Seus Filhos. E, aponta para a vivência da caridade como único e verdadeiro avanço, pois ela movimenta as engrenagens humanas no bom sentido do crescimento e da paz.  

O pretenso isolamento do homem moderno em relação à Paternidade Divina, não é uma fórmula para a paz, mas uma força que mantém as injustiças. Se nossas ações se apartam da consciência de termos sido criados por Deus e de que em Cristo somos todos irmãos (cf. Mt 23,8), caminharemos para uma sociedade individualista que tende à extinção. 

O Papa Francisco, em sua mensagem para o Dia Mundial da Paz, denuncia esta triste realidadeA nossa comunidade humana traz, na memória e na carne, os sinais das guerras e conflitos que têm vindo a suceder-se, com crescente capacidade destruidora, afetando especialmente os mais pobres e frágeis. Há nações inteiras que não conseguem libertar-se das cadeias de exploração e corrupção que alimentam ódios e violências. A muitos homens e mulheres, crianças e idosos, ainda hoje se nega a dignidade, a integridade física, a liberdade – incluindo a liberdade religiosa –, a solidariedade comunitária, a esperança no futuro. Inúmeras vítimas inocentes carregam sobre si o tormento da humilhação e da exclusão, do luto e da injustiça, se não mesmo os traumas resultantes da opressão sistemática contra o seu povo e os seus entes queridos” (1º jan. 2020). 

O Pontífice ainda lembra que abrir e traçar um caminho de paz é um desafio muito complexo. Para que isto seja possível, é urgente que nos deixemos alcançar pelos valores evangélicos rompendo com o jogo de interesses, tanto nas relações pessoais, como comunitárias. 

A paz é alcançada no mais fundo do coração humano. Quando assumida por toda a humanidade, é capaz de revigorar os processos de reconciliação e unidade. A preocupação diante das reais guerras e desigualdades sociais no mundo, é uma consequência necessária de nossa fé. E, a tomada de algumas providências práticas para fazer imediatamente nossa parte, é um compromisso de todos os batizados.  

 

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