Mensagem do Pontifício Conselho para o Diálogo Inter-religioso sobre a festa hindu de Deepavali

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deepavali2012

Os hindus celebram, no dia 13 de novembro, a Festa de Deepavali, que é uma celebração religiosa conhecida também como o festival das luzes. Durante o Deepavali as pessoas estreiam roupas novas, dividem doces e lançam fogos de artifício. Este festival celebra, entre outras histórias, a destruição de Narakasura por Sri Krishna, o que converte o Deepavali num evento religioso que simboliza a destruição das forças do mal.

Como de costume, todos os anos as Comissões Episcopais Pastorais para o Diálogo Inter-religioso das Conferências Episcopais de todo o mundo divulgam uma mensagem, escrita pelo presidente do Pontifício Conselho para o Diálogo Inter-religioso, parabenizando os hindus pela festividade.

Leia abaixo a íntegra da mensagem para a Festa de Deepavali 2012:

Mensagem do Conselho Pontifício para o diálogo inter-religioso para a Festa de Deepavali 2012

Mensagem para a Festa de Deepavali – 2012

Caros amigos Hindus,

O Pontifício Conselho para o diálogo inter-religioso envia as maiores saudações por ocasião das celebrações anuais da festa hindu: “Deepavali”. Que a amizade e a fraternidade estejam cada vez mais presentes nas vossas famílias e nas vossas comunidades.

Neste momento da história da Humanidade, quando tantas forças negativas tentam destruir as legitimas aspirações, em várias regiões do mundo, para a coexistência da paz, gostaríamos de usar esta querida tradição para partilhar convosco uma reflexão sobre a responsabilidade que os Hindus, Cristãos e outros têm em fazer todo o possível para formar todas as pessoas, especialmente as jovens gerações, como artífices da paz.

A paz é mais do que a ausência da guerra, mais ainda do que um tratado que assegure uma vida tranquila; mas sim, será completa e intacta, quando for a implantação da harmonia (cf. BENTO XVI, Ecclesia in Medio Oriente, 9) e fruto da caridade. Pais, professores, anciãos, religiosos e líderes políticos, artífices da paz, aqueles que trabalham no mundo das comunicações e todos os que se empenham de coração sincero na defesa da paz são chamados a educar as novas gerações, como são também chamados a fazer crescer, do mesmo modo, a integridade.

Formar e educar os homens e as mulheres mais jovens em pessoas de paz e construtores da paz é uma prioridade coletiva e um compromisso de toda a ação comum. Para que a paz seja autêntica e durável, deverá ser alicerçada nos pilares da verdade, da justiça , do amor e da liberdade. (cf. João XXIII, Pacem in terris, 35), e todos os homens e mulheres jovens precisam de aprender, acima de tudo, a agir honestamente e justamente no amor e na liberdade. Para além disso, em toda a educação para a paz, as diferenças culturais devem ser tratadas como uma riqueza mais do que uma ameaça ou perigo.

A família é a primeira escola de paz e os pais são os primeiros educadores para a paz. Pelo seu exemplo e ensinamento, eles têm o privilégio único de educar os filhos aos valores que são essenciais para uma vivência de paz: a verdade mútua, o respeito, a compreensão, o ouvir, o partilhar, o cuidar e o perdoar. Nas escolas, colégios e universidades, onde os jovens vão crescendo, na relatividade, estudando e trabalhando com outras formas diferentes de religião e de cultura, na sua formação, os seus professores e seus colaboradores têm a nobre tarefa de assegurar uma educação que respeite e celebre a dignidade inata de todos os seres humanos e promover a amizade, a justiça, a paz e a cooperação para o desenvolvimento integral da pessoa. Tendo como alicerces da educação, os valores espirituais e morais, tornar-se-ão para eles um imperativo ético como também uma precaução para os estudantes contra ideologias que originam a discórdia e a divisão.

Enquanto os estados e os líderes individuais nos campos sociais, políticos e culturais, em geral, têm funções e responsabilidades importantes a desempenhar no reforço da educação dos jovens, os líderes religiosos em particular, em razão da sua vocação para serem líderes espirituais e morais, devem continuar a inspirar as gerações mais jovens a trilhar o caminho da paz e a tornarem-se mensageiros da paz. Como todos os meios de comunicação determinam em muito a forma como as pessoas pensam, sentem e agem, as pessoas envolvidas nesta área devem, na medida do possível, contribuir para a promoção de pensamentos e palavras de paz. Na verdade, os próprios jovens devem viver à altura dos ideais que estabeleceram para outros, usando a sua liberdade com responsabilidade e na promoção de relações cordiais para uma cultura de paz.

Evidentemente, a totalidade que transmite paz irá moldar um mundo mais fraterno e um “novo tipo de fraternidade” entre as pessoas, no qual “um sentido partilhado da grandeza de cada pessoa” irá prevalecer (cf. Bento XVI, Jornada Apostólica no Líbano, Encontro com o Governo, Instituições da República, Corpo Diplomático, Líderes Religiosos e Representantes do Mundo da Cultura, 15 de Setembro de 2012).

Que todos nós procuremos, sempre e em todo o lugar, aderir aos imperativos morais e religiosos que inspiram os jovens que se esforçam por se tornarem artífices da paz.

Desejamos a todos um abençoado Deepavali!

Pontifício Conselho para a o Diálogo Inter-religioso

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