Maria, Mãe do Filho de Deus na carne em Santo Agostinho

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Dom Vital Corbellini
Bispo de Marabá (PA) 

 

Agostinho foi bispo no século V em Hipona. Nele encontramos textos importantes para serem decifrados na visão de Maria, como mulher e como Mãe do Senhor Jesus Cristo através da encarnação do Verbo.

O primeiro milagre do Senhor

O bispo de Hipona teve presente o texto de João do primeiro milagre de Jesus na qual o Senhor disse à sua Mãe: O que há entre mim e Ti, ó mulher? A minha hora ainda não chegou(Jo 2,4). Nosso Senhor Jesus Cristo era Deus e homem: como Deus não tinha mãe, como homem, sim. Maria era pois mãe da carne dele, mãe da sua humanidade. Mas o milagre que se cumpriria era obra da sua divindade, não da sua humanidade; enquanto era Deus, não enquanto nasceu como homem limitado. A sua mãe pede-lhe um milagre ao seu Filho Jesus pois percebeu a falta de vinho na festa de casamento. Jesus no momento de cumprir a obra divina, o milagre, queria dizer que não era a sua mãe quem gerou a sua natureza divina, mas porque ela gerou a sua natureza humana, então a reconheceria (a natureza humana) quando estaria sobre a cruz. Por isso Ele diz que a sua hora não chegou. Com aquela resposta, o Senhor distinguia na fé dos fiéis, quem Ele é, e como veio. Ele veio por meio de uma mulher, que lhe é a sua mãe. Ele é também Deus e Senhor do céu e da terra. Enquanto Senhor do mundo, Senhor do céu e da terra, Ele é Senhor de Maria; enquanto Criador do céu e da terra, é criador também de Maria, porém como foi dito, feito de mulher, nascido sob a lei(Gl 4,4), é filho de Maria. Ele é ao mesmo tempo, Senhor de Maria e Filho de Maria, junto Criador de Maria e nascido de Maria.

Agostinho continua a sua interpretação: Ouvi o testemunho claro do Apóstolo: Nascido segundo a carne da estirpe de Davi(Rm 1,3). Mas Ele é também o Senhor de Davi, porque Davi mesmo o disse: Fala Senhor ao meu Senhor: senta-te à minha direita(Sl 109,1). Como pois Ele é ao mesmo tempo Senhor e filho de Davi, filho de Davi segundo a divindade, assim é filho de Maria, segundo a carne e Senhor de Maria segundo a sua divindade. E pelo fato que ela não é mãe da divindade, por isso respondeu Jesus a ela: Que há entre mim e ti, ó mulher? De outra parte para que Tu, ó Maria não acreditasse que Ele iria negá-la como mãe acrescentou: a minha hora ainda não chegou, Então reconheceu a natureza humana, na qual ele era a sua mãe, que irá se sujeitar na cruz. Mas vejamos melhor como tudo isso é verdadeiro. Na cruz, Jesus disse à sua mãe: Mulher, eis aí o teu filho. Depois disse ao discípulo: Eis aí a sua mãe(Jo 19,25-27). Confia a mãe ao discípulo, Ele que estava para morrer antes dela e ressuscitaria antes que ela morresse. Esta é a natureza humana que Maria gerou. Já tinha chegado a sua hora pois dissera: a minha hora ainda não chegou.

Motivos da bem-aventurança em Maria

Agostinho interpretou a passagem de Mateus onde se coloca que estavam lá fora a sua mãe, os seus irmãs de modo a dizer: Olha! Tua mãe e teus irmãos estão lá fora e querem falar contigo(Mt 12,46-50). Maria também é citada, porém fez a vontade do Pai. Assim Deus louvou nela enquanto fez a vontade do Pai. Agostinho tem presente também uma outra passagem. Enquanto a multidão estava cheia de admiração pelo Senhor Jesus Cristo, à vista dos milagres e dos prodígios que manifestava que coisa escondia-se na sua carne, alguém gritou , em face ao entusiasmo: Feliz o ventre que te trouxe e os seios que te amamentaram(Lc 11,27). Diante dessas afirmações Jesus deu respostas em unidade com a Vontade do Pai. Seria como se Ele dissesse: minha mãe também a vós que é conhecida é bem-aventurada, porque observa a palavra de Deus, não porque nela o Verbo se fez carne e habitou entre nós; mas porque cuidou o Verbo de Deus por meio do qual foi criada e que nela se fez carne. Não gozam os homens, os filhos segundo a carne; exultem antes se no Espírito Santo porque são unidos a Deus.

Esses textos nos colocam a importância de Maria ter feito a Vontade de Deus e conduzir o Filho de Deus a realizar o primeiro milagre no meio de seu povo. Estamos nos 300 anos de Nossa Senhora Aparecida. Maria é a mãe da Igreja, de Cristo e a nossa mãe. Vivamos o sentido de Maria, no seguimento a Jesus Cristo, no amor a Deus, ao próximo como a si mesmo.

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