Famílias a caminho da perfeição

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Dom Edney Gouvêa Mattoso
Bispo  de Nova Friburgo (RJ)

Caros amigos, a família é uma realidade maravilhosa, obra das mãos de Deus que, formada por Seus filhos e filhas, traz em si os perfis da Trindade Santa. Porém, esta obra não nasce pronta, mas está em constante aperfeiçoamento. Por isso, uma mensagem importante para evangelização dos casais é que estes aceitem o matrimônio como um caminho de progressiva perfeição no amor, e não uma relação perfeita desde o início.

Assim, ensina o Papa Francisco, “contemplar a plenitude que ainda não alcançamos permite-nos também relativizar o percurso histórico que estamos fazendo como família, para deixar de pretender das relações interpessoais uma perfeição, uma pureza de intenções e uma coerência que só poderemos encontrar no Reino definitivo. Além disso, impede-nos de julgar com dureza aqueles que vivem em condições de grande fragilidade” (AL, 325).

Em outras palavras, poderíamos dizer que a “ilusão da família perfeita” é um dos piores inimigos da harmonia das famílias reais, pois, em geral, o ser humano tem grande dificuldade de aceitar suas próprias falhas e limitações e, por isso, também resiste em aceitar as falhas e limitações do outro. Quando estas reações profundamente humanas não são iluminadas pelo Evangelho de Jesus Cristo e instalam-se nos lares, temos uma grande possibilidade de formar “famílias de fachada”, brigas silenciosas ou declaradas, e, infelizmente, divórcios e outras divisões.

Meus amigos, não somos perfeitos! Sejamos mais misericordiosos e verdadeiros conosco mesmos e com os irmãos, sobretudo os mais próximos, principalmente com nossa própria família!

Continua o Santo Padre: “Todos somos chamados a manter viva a tensão para algo mais além de nós mesmos e dos nossos limites, e cada família deve viver neste estímulo constante. Avancemos, famílias; continuemos a caminhar! Aquilo que se nos promete é sempre mais. Não percamos a esperança por causa dos nossos limites, mas também não renunciemos a procurar a plenitude de amor e comunhão que nos foi prometida” (Idem).

Se, por um lado, as famílias cristãs precisam aceitar que não são perfeitas, por outro, não podem perder de vista sua vocação divina à santidade. Assim sendo, a única fórmula possível para a sobrevivência da família é o amor, capaz de encarar os limites próprios e alheios sem supervalorizá-los. Pois, “o amor é paciente, é benfazejo (…) tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo suporta” (1Cor 13, 4.7).

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