Dois Apólogos sobre Deus

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Dom Jacinto Bergmann
Arcebispo de Pelotas

            No momento em que nosso planeta terra parece, por causa da pandemia, ter se tornado o túmulo da humanidade, algumas mensagens tornam-se necessariamente pertinentes e até decisivas. Vasculhando os remotos e ancestrais escaninhos de minha lembrança, eis que vieram à tona dois apólogos contados no aconchego do lar, cujos narradores eram os simples mas convincentes pais. Era o tempo em que na maior parte das noites estávamos “confinados” em casa (as opções de “saída” eram quase inexistentes, com exceção para alguns esporádicos eventos comunitários e ainda participados por toda a família), ao redor do fogão, esperando juntos o jantar que estava sendo preparado pela mãe. Especialmente a “lição moral” destes dois apólogos ficaram gravados na alma.

            Primeiro apólogo: “Deus é como açúcar”.

            “Um certo dia, a professora perguntou as crianças quem saberia explicar quem é Deus? Uma delas levantou os braços e disse: – ‘Deus é nosso pai, Ele fez o mar e a terra e tudo que está nela, nos fez como filhos Dele’. A professora, querendo buscar mais respostas, foi mais longe: – ‘Como vocês sabem que Deus existe, se nunca o viram?’ A sala ficou toda em silêncio… Um menino muito tímido, levantou as mãozinhas e disse: – ‘A minha mãe me disse que Deus é como o açúcar no meu leite que ela faz todas as manhãs, eu não vejo o açúcar que está dentro da caneca no meio do leite, mas se ela o tira, fica sem sabor. Deus existe, e está sempre no meio de nós, só que não o vemos, mas se Ele sair de perto, nossa vida fica sem sabor’. A professora sorriu, e disse: – ‘Muito bem menino, eu ensinei muitas coisas a vocês, mas você me ensinou algo mais profundo que tudo que eu já sabia. Eu agora sei que Deus é nosso açúcar e que está todos os dias adoçando a nossa vida’”.

            Lição moral que ficou gravada: “Filhos, sem Deus a nossa vida não tem sabor!”

            Segundo apólogo: “A borboleta que mergulhou no fogo”.

            “Uma noite as borboletas se reuniram, ansiosas de conhecer o fogo que viam arder nas trevas. Decidiram: ‘Uma de nós entre na casa onde arde uma labareda e nos dê notícias voando em torno da chama’. Uma borboleta voou até a casa, viu a labareda arder atrás da janela; quando retornou descreveu a luz que a chama produzia. Mas a borboleta sábia, que estava presidindo a reunião, disse que a exploradora não chegou a conhecer o fogo. Uma outra partiu, entrou voando na sala e quando voltou falou do calor que a chama produzia. Mas a borboleta sabe relevou que a sua descrição não era muito mais precisa que da primeira que tinha ido. Finalmente uma terceira borboleta alçou vôo. Atravessou a janela aberta, começou a dançar em torno da chama, mas não entendia por que a labareda ficava ardendo, nem a natureza da luz e do calor produzidos pelo fogo. Então ela se precipitou na chama com suas pernas anteriores: caiu no fogo, queimou completamente e se consumiu. As companheiras esperavam em vão o seu retorno, mas quando se soube que a chama tinha queimado a terceira mensageira, a borboleta sabia usou a imagem do mergulho da borboleta na chama e disse: ‘Esta conheceu o que queria saber: porém somente ela conhece o fogo e o compreende”!

            Lição moral que ficou gravada: “Filhos, não tenham medo de mergulhar em Deus – Ele é o fogo do amor!”

            Sabor e amor na nossa vida conjugam-se com Deus!

 

         

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