Dia do Padre

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Cardeal Orani João Tempesta
Arcebispo do Rio de Janeiro (RJ)

 

No próximo dia 4 de agosto, celebramos o Dia do Padre, memória litúrgica de São João Maria Vianney, antigo patrono dos párocos, hoje universal padroeiro dos padres. Mais do que celebrar esta data, neste dia, devemos, sobretudo, agradecer a presença dos padres em nossas paróquias. Pois, através dos presbíteros, temos a Santíssima Eucaristia todos os dias, obtemos o perdão para os nossos pecados e a cura espiritual de nossas doenças. Por tradição da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) reserva a primeira semana de agosto para rezar pelos que são vocacionados para o ministério ordenado. Porém, logo nessa primeira semana, dentro do mês vocacional, celebramos nesse dia do Cura D’Ars a vocação presbiteral do padre, como pai espiritual da comunidade paroquial.

O chamado do presbítero vem do alto. É Deus quem chama para esta vocação e a pessoa, com a liberdade no coração, aceita este chamado. O padre é tirado do meio povo, do seio de uma comunidade e, depois de ordenado, é devolvido para santificar o povo de Deus para, junto com este povo, caminhar rumo a santificação.

O presbítero, diante de uma comunidade, deve sentir o cheiro das suas ovelhas, como insiste permanentemente o Papa Francisco. O padre deve conhecer as ovelhas pelo nome, ir atrás daquelas que estão feridas ou machucadas, daquelas que estão perdidas. Deve deixar as noventa e nove no caminho e ir atrás da centésima, colocá-la em seus ombros e cuidar dela, de suas feridas e suas dores.

O padre é aquele que deve ir até as famílias para conhecer as dificuldades e as alegrias pelas quais cada uma passa. O padre não deve se limitar apenas à casa paroquial em sua paróquia, mas deve visitar todo o território paroquial, estando com as famílias. É dentro das vicissitudes da vida cotidiana de todos os fiéis que se manifesta a glória de Deus pela presença de seu pároco.

O padre é o homem da misericórdia que deve visitar os hospitais, especialmente em seu território paroquial, sobretudo quando há algum paroquiano internado. O padre deve ministrar a Unção dos Enfermos e confortar a família nessa hora difícil. Mesmo diante da COVID-19, a nenhum fiel seja negado o conforto da Unção dos Enfermos, tomando os devidos cuidados e autorizações. Assim, também deve estar presente nos velórios, ministrando as exéquias e confortando os familiares nesse momento de dor.

O padre é deve ser o Bom Pastor que ensina através da homília. Deve empreender do rico e único momento da homilia para ensinar e santificar o povo. Fazer da homília uma catequese, perpassando todas as leituras e passando a mensagem central da liturgia daquele domingo para o povo. Transmitindo algo que as pessoas possam levar para as suas vidas diárias. As pessoas devem sair da missa com algo transformado, mudado na vida delas.

O padre deve estar por inteiro na Santa Eucaristia, ou seja, não deixar que os problemas de fora interfiram na sua celebração. Os problemas podem ser resolvidos depois, de alguma maneira. Mas, na hora da missa, o padre deve celebrá-la como se fosse a sua primeira missa, a última ou a única, com entusiasmo e alegria. Para motivar o povo a encarar mais uma semana que irá começar.

O padre deve apresentar Jesus Cristo ao povo, que é o centro da celebração Eucarística. O centro da celebração deve ser Jesus Cristo e não o padre. Deve ser como São João Batista dizia “que ele cresça e eu diminua”. Muitas vezes o presbítero quer aparecer mais que Jesus na celebração, tornando a celebração um show ou um espetáculo, mas o padre, na celebração Eucarística, deve deixar Jesus ser a figura principal, passando ao povo a mensagem central da liturgia daquele dia.

O presbítero na celebração Eucarística age In persona Christi, ou seja, na pessoa de Cristo. Não é o padre que consagra a Santa Eucaristia, mas o próprio Cristo. O padre, naquele momento, pede ao Pai que envie o Espírito Santo, para que, naquele momento, as espécies do pão e do vinho se tornem “Corpo e Sangue de Cristo”.  Na hora de perdoar os pecados, não é o padre que perdoa, mas o próprio Jesus que, com misericórdia, acolhe o pecador naquele momento e o perdoa de seus pecados.

O sacerdócio pertence ao sacramento da ordem. É o segundo grau desse sacramento. A partir da ordenação, o sacerdote pertence a Cristo para sempre. Não importa o que aconteça, o padre sempre será padre, o sacramento estará implícito nele. “Tu és sacerdote para sempre, segundo a ordem de Melquisedeque”.

Este tempo da Covid-19 foi difícil para muitos padres, por terem que ficar longe de seus paroquianos, por terem que rezar missas “online” e pela dificuldade de ministrar os demais sacramentos. Agora as coisas estão encontrando um novo caminho, esperamos que tudo melhore e que possamos desfrutar do convívio próximo ao que vivíamos antes da pandemia, embora com a limitações e precauções próprias do momento. Que os nossos amados sacerdotes continuem rezando por seus paroquianos e os paroquianos, por seus padres, para que juntos possamos atravessar esse momento.

Peçamos a São João Maria Vianney que interceda por todos os padres para que o Senhor os conduza sempre no caminho da perfeição, santidade e do amor. Que nunca faltem vocações para abraçar esse ministério tão importante para o mundo. Que nunca faltem sacerdotes para celebrar a Santa Eucaristia para o povo de Deus e para perdoar os seus pecados. E que as pessoas respeitem os sacerdotes, que tenham carinho e que, sobretudo, rezem por eles.

Não tenham medo, amados presbíteros, de serem santos e de levar o Cristo Redentor para todos os homens e mulheres de boa vontade! Sejamos construtores de um mundo novo, repleto de paz e de misericórdia!

Neste mês de agosto, o mês das vocações, que Deus abençoe o ministério de todos os padres e que dê perseverança para aqueles que se preparam para abraçar esse ministério.

São João Maria Vianney rogai por nós.

 

 

 

 

 

 

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