A verdadeira indecência na política

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Dom Roberto Francisco Ferreria Paz
Bispo de Campos (RJ)

Nestes últimos tempos, tem-se tomado consciência do câncer da corrupção na sociedade, nas instituições e na política. Clamamos pela ética e a decência na política e uma conduta íntegra e honesta por parte dos gestores públicos. Houve avanços na cultura da transparência e integridade, e procedimentos para o controle e punição da corrupção e venalidade no trato da coisa pública.

No entanto, o espírito republicano e a decência na vida democrática exigem, por igual, o respeito e a confiança na defesa dos direitos humanos, cuja Declaração completa 70 anos, em 2018. Desconsiderá-los ou tratá-los como se fossem manuais ou discurso de proteção a bandidos, é rasgar o pacto civilizatório que, vencedor do fascismo, quis por ponto final às guerras.

O fato de acostumarmo-nos com quem, inchando seu peito, debocha deles e despreza minorias, desqualificando-as, é, sem dúvida, uma grave ameaça à Democracia, depondo contra todos (as) os que deram sua vida e testemunho para que pudéssemos respirar um clima de liberdade e autonomia. A verdadeira indecência não é, somente, roubar dinheiro, mas roubar e eliminar direitos, ferindo mortalmente a dignidade da pessoa humana. Na Espanha franquista, encontrava-se o grande escritor Miguel de Hunamuno lendo um jornal em Madri, quando entrou, naquele recinto, um grupo de falangistas (fascistas) gritando “Viva a Morte!”. Ele, lentamente, baixou o jornal, os olhou e, calmamente, disse: “Vocês, até poderão vencer, mas nunca convencerão.

Porque para convencer há de se dar razões para viver a esperança, não a morte.” Quem patrocina e defende a cultura da morte, sustenta o discurso do ódio e o extremismo, esquecendo que violência gera violência, só poderá levar-nos para o abismo da destruição. Nestas eleições, defendamos a vigência plena dos direitos humanos, por uma Democracia viva e atuante, e pela Paz com justiça.

Que o Deus, misericordioso e compassivo, revelado no seu Filho Jesus, nos torne construtores de fraternidade, diálogo e concórdia, alimentando a esperança que não decepciona. Deus seja louvado!

 

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