A paz é um bem precioso 

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Dom Edney Gouvêa Mattoso,
Bispo de Nova Friburgo 

Caros amigos, estamos vivendo momentos de tensão mundial com os conflitos entre países de grande força bélica. O Papa Francisco em sua mensagem para o 53º Dia Mundial da Paz nos fez recordar que “A paz é um bem precioso, objeto da nossa esperança” (n. 1)  

Olhando para a atual realidade, é preciso assumir que todos somos responsáveis pela construção de um mundo pacífico e fraterno. Neste sentido, vale lembrar que a boa convivência é parte essencial de nossa vocação cristã. Sua fonte é a perfeita comunhão das Pessoas da Santíssima Trindade e sua finalidade é a reconciliação de todos os corações em Cristo, base daquela civilização do amor que todos queremos. 

A união com Deus é causa de concórdia entre as pessoas, sua negação provoca a divisão e a intolerância entre os semelhantes. Somos concordes que queremos viver em harmonia com todos. Entretanto, não é raro perceber que também cultivamos sentimentos e ações que não combinam com este ideal. 

A Palavra de Deus exorta: “Procurai a paz com todos e a santidade, sem a qual ninguém verá o Senhor” (Hb 12,14) e “mantende um bom entendimento uns com os outros” (Rm 12, 16). Quando não enxergamos o próximo sob a perspectiva de Deus, mas pelas “lentes” de nossos próprios interesses, ferimos esta paz. 

São João Paulo II procurou elencar alguns elementos em sua Exortação sobre a Reconciliação e a Penitência na Missão da Igreja hoje: “Ao indagar sobre os elementos geradores de divisão, observadores atentos apontam os mais variados: desde a crescente disparidade entre grupos, classes sociais e países, aos antagonismos ideológicos, ainda não extintos; desde a contraposição dos interesses econômicos às polarizações políticas; desde as divergências tribais às discriminações por motivos sociorreligiosos” (Reconciliatio et Paenitentia, 2). 

É sempre difícil conviver com as diferenças e, no entanto, este é nosso ambiente natural. Portanto, a paz com os vizinhos, com os amigos e, sobretudo, na família não é puramente resultado dos elementos convergentes de nossos ideais e comportamentos, mas do mútuo entendimento, da tolerância e do amor recíproco. Em suma, a concórdia fraterna é sempre um esforço, uma meta, uma missão! 

Somos chamados a promover a paz! Como nos ensina nosso Senhor“Felizes os que promovem a paz, porque serão chamados filhos de Deus” (Mt 5, 9) e ainda: “Deixo-vos a paz, dou-vos a minha paz. Não é a maneira do mundo que eu a dou” (Jo 14, 27). A verdadeira paz tem sua raiz na comunhão da Trindade Divina. Por isso, precisamos também dizer que não é possível a autêntica comunhão fora da justiça e da verdade. 

Como a vida em comunhão parece ser um ideal querido no coração, e, muitas vezes, negado nas ações, também a veracidade sofre semelhante contradição. Ninguém gosta de ser enganado, contudo, é comum a mentira aparecer como escudo dos interesses particulares. Um escudo frágil e ineficaz, porém muito utilizado. 

A paz advinda do engano não durará para sempre. Somente será perene aquela fundamentada na fortaleza de dizer, procurar e viver a verdade. Por isso, promover uma “paz de aparências” não é virtude, é vício! O verdadeiro pacífico é aquele que se deixa vencer pela verdade, que a procura em seu caminho e a encontra no Senhor, mesmo que à custa de uma radical mudança de vida. 

Desejo que todos procuremos a Verdade para que assim vivamos em paz com todos! 

 

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