Quem assume é o padre Djalma Antônio da Silva, missionário da congregação do Verbo Divino. Para assumir esta nova missão, ele disse ter se inspirado numa fala de São José Freinademetz, missionário de sua congregação na China: "o melhor lugar do mundo é aquele onde Deus me quer"

ARTIGOS DOS BISPOS

Dom João Justino de Medeiros Silva
Arcebispo de Montes Claros

 

            No último dia 15 de outubro, Papa Francisco participou, por meio de uma mensagem em vídeo, de um encontro promovido pela Congregação para a Educação Católica, sobre o Pacto Educativo Global. Essa iniciativa vincula-se à percepção do Papa quanto à fratura da corresponsabilidade na tarefa de educar as novas gerações. Observou o Papa, em diferentes ocasiões, que assistimos à quebra do pacto educativo, isto é, família, escola e sociedade têm interagido muito pouco nos processos da educação. A construção de uma nova cultura depende da interação articulada entre família, escola e sociedade.

            Pelo mundo afora existem muitas iniciativas interessantes no campo da educação que precisam ser mais divulgadas e conhecidas. Há sempre caminhos possíveis para maior integração da família com a escola e a universidade. As instituições de ensino, por sua vez, têm grande potencial para mobilizar a comunidade educativa não apenas nos processos de ensino-aprendizagem, mas também na abertura de novas perspectivas para as relações interpessoais e incidência nos diferentes âmbitos da vida social. Diferentes expressões da sociedade são desafiadas a interagir com escolas e universidades e com as famílias para ajuntar forças em favor da humanização do mundo e da história.

            Nesse sentido, Papa Francisco, em sua mensagem em vídeo, nos convida a nos comprometermos pessoal e conjuntamente com os seguintes objetivos: “1º) colocar no centro de cada processo educativo – formal e informal – a pessoa, o seu valor, a sua dignidade para fazer emergir a sua especificidade, a sua beleza, a sua singularidade e, ao mesmo tempo, a sua capacidade de estar em relação com os outros e com a realidade que a rodeia, rejeitando os estilos de vida que favorecem a difusão da cultura do descarte; 2º) ouvir a voz das crianças, adolescentes e jovens a quem transmitimos valores e conhecimentos, para construir juntos um futuro de justiça e paz, uma vida digna para toda a pessoa; 3º) favorecer a plena participação das meninas e das jovens na instrução; 4º) ver na família o primeiro e indispensável sujeito educador; 5º) educar e educarmo-nos para o acolhimento, abrindo-nos aos mais vulneráveis e marginalizados; 6º) empenhar-nos no estudo para encontrar outras formas de compreender a economia, a política, o crescimento e o progresso, para que estejam verdadeiramente ao serviço do homem e da família humana inteira na perspectiva duma ecologia integral; 7º) guardar e cultivar a nossa casa comum, protegendo-a da exploração dos seus recursos, adotando estilos de vida mais sóbrios e apostando na utilização exclusiva de energias renováveis e respeitadoras do ambiente humano e natural, segundo os princípios de subsidiariedade e solidariedade e da economia circulante”.

            Como se percebe, o transfundo desses objetivos é a visão humanista integral, capaz de agregar parceiros em busca de uma nova cultura e de uma sociedade justa, fraterna, inclusiva, participativa e poliédrica. Sabendo da proximidade das eleições municipais, a educação é um tema bastante pertinente para os que pretendem servir a cidade no executivo ou no legislativo. E um critério para identificar a visão de educação de quem se candidata é verificar seu parecer sobre a relação família-escola-sociedade.

 

Dom Roberto Francisco Ferreria Paz
Bispo de Campos (RJ)

No mês missionário, de 2020, tratamos de viver e testemunhar o tema desta campanha que afirma: A Vida é Missão, e o lema, inspirado no profeta Isaías “Eis-me aqui, Senhor, envia-me”. Retoma-se, como de costume, o foco da Campanha da Fraternidade, a Vida como Dom e Compromisso. Ao ligarmos dom e compromisso, afirmamos que ela tem sentido, valor e propósito, e que nossa missão é o cuidado integral que abrange todas as dimensões da existência humana com sua transcendência e direcionamento para Deus.

Nesta pandemia, talvez a primeira lição que incorporamos, um pouco forçados, é o quanto é vulnerável e a complexidade e interdependência da teia da vida humana. Por isso, cuidar e valorizar a vida são uma missão plenamente humana e buscar dar inteireza, consistência e beleza eterna é cumprir com este precioso legado divino. A missão se tornou mais abrangente e universal, tendo como lugares teológicos, a cidade, a Amazônia e a Casa Comum, as periferias tanto geográficas como existenciais e a própria humanidade como uma família cordial e reconciliada que deve ser constituída. Na cidade, edificar uma convivialidade cuidadora e solidária que dê segurança e proteção às famílias, especialmente às crianças, idosos e pobres. Uma cidade alegre, de praças verdes e com bairros, como diz o Papa Francisco, cheios de cordialidade e proximidade.

Na Amazônia e na Casa Comum, tomar consciência que moramos em biomas, que somos Terra e como jardineiros e paisagistas tecemos juntos a grande teia da vida. Nas periferias geográficas, ou no sul do mundo (nos confins, nas margens) acolher, integrar, promover e defender a dignidade das pessoas oprimidas e ameaçadas: população em situação de rua, ribeirinhos, pescadores, povo das florestas, indígenas e migrantes. Já nas periferias existenciais, atender com carinho e ternura os que sofrem, tiveram perdas, estão deprimidos, e apresentam sinais de desespero, cansaço ou burnout.

Finalmente, e não menos importante, ser missionários da paz, da reconciliação e da fraternidade, unindo os povos e Nações da Terra para superar, não só a pandemia do coronavírus, mas derrubando os muros e divisões do ódio, do preconceito, da intolerância, e da arrogância imperialista. Deus, o Pai amoroso que nos envia a esta missão, seja louvado!

 

Cardeal Orani João Tempesta
Arcebispo do Rio de Janeiro (RJ)

 

Recordamos, no próximo 15 de outubro, o Dia do Professor, uma profissão que, em seu exercício, é elevada por um propósito que vai além. Uma missão que nos prepara para o futuro. Ao falarmos de professor estamos nos referindo também à educação. É um dos segredos de um país. Um povo que tem uma educação de qualidade faz toda a diferença. E para isso necessitamos de mestres que sejam bem recompensados e respeitados. Em nossa arquidiocese criamos o Vicariato para a Educação justamente para ser o nosso interlocutor com essa vasta área do conhecimento e para apoiar aqueles que necessitam de dar passos importantes.

Para que o professor seja valorizado como merece nos dias de hoje, seria necessário pagar um salário melhor. Muitos professores, infelizmente, não são retribuídos de acordo com o que trabalham. Em segundo lugar deveria ter mais recursos, ou seja, instrumentos de trabalho para que o professor possa lecionar com mais recursos. E, em terceiro lugar, ser valorizado pelos alunos. Hoje em dia se perdeu o respeito dos alunos para com os professores. Em muitas escolas os estudantes chegam a agredir os professores, que acabam tendo de se desdobrar para conseguir ministrar a sua aula.

Sobretudo agora, nesse tempo de pandemia da Covid-19, muitos professores fizeram um excelente trabalho, preparando aulas online, se desdobrando para levar o melhor aos seus alunos tendo reinventado a sua pedagogia de uma hora para outra. Tanto os professores quanto os estudantes tiveram que viver um “novo normal” nesse período distanciamento social. Os alunos sem o contato físico com seus professores para tirar as dúvidas sobre a aula e os professores sem poder estar perto de seus estudantes para ajudá-los.

Podemos pensar nesse momento em muitos profissionais espalhados pelo interior do nosso Brasil, que, em tempos normais, precisam andar quilômetros para lecionar — e pensar em tantas escolas sem condições precárias para ensinar. E muitos alunos que sofrem ao longo do caminho para chegar nessas escolas. Muitos têm vontade de aprender e adquirir conhecimento sobre o que o professor ensina.

Para ser professor é preciso ter vocação e preparar-se para tal. É um dom especial que deve ser trabalhado para poder servir aos alunos com o carisma próprio. Precisa ter paciência e vontade para ensinar e coragem para enfrentar algumas situações adversas. É aceitar o desafio.

É preciso recuperar a imagem do professor como mestre. Aquele que ensina e que educa os alunos no caminho do bem e os dirige para que eles possam ter uma vida digna e saber fazer escolha inteligentes e sábidas para a vida e trabalho futuros. Por isso, nesse Dia do Professor, recordamos de tantos educadores que tivemos em nossa vida e reconheçamos que, se somos o que somos hoje, também é graças a eles. Os pais devem ensinar os seus filhos a serem agradecidos aos seus professores e a respeitá-los como seus mestres.

Devemos sempre lembrar dessa data e valorizar cada gesto — por vezes esquecemos de lembrar dos nossos professores; e nossos filhos na escola também fazem o mesmo não parabenizar esses mestres. Essa data, além de comemorar o Dia do Professor, é um momento de, acima de tudo, agradecer a presença desses mestres na nossa vida. É preciso ir além: o reconhecimento aos professores passa por gestos e palavras.

Um presente que podemos dar aos professores nesse dia é a nossa lembrança, acompanhada de uma especial oração de gratidão e de ação de graças pelos conhecimentos recebidos deles, e um sincero agradecimento ao ensino que eles nos transmitiram. E, sobretudo, um pedido especial para que essa profissão seja considerada uma das mais importantes e reconhecidas em nosso País.

Que a nossa oração por eles nesse dia seja também por aqueles que já estão junto de Deus — tanto aos que foram nossos quanto os que exercem essa missão de educar.

Quantos professores que se aposentaram depois de anos se dedicando ao ensino e hoje não são se quer lembrados, tanto por aqueles que foram seus alunos. Que tenham o reconhecimento com um salário digno de suas vidas como aposentados. Temos também os professores que continuam o exercício de sua profissão porque simplesmente não conseguem parar — querem lecionar até o fim de suas vidas. É uma vocação que querem continuar servindo.

No Dia do Professor lembremos o dia de uma grande Santa da Igreja, a Santa Teresa D’Ávila, Doutora da Igreja, que é comemorada neste dia, que como mestra nos deixou grandes ensinamentos escritos e trabalhou juntamente com São João da Cruz na reforma do Carmelo, recuperando o Espírito inicial dos Carmelitas.

Peçamos a intercessão dessa grande Santa por todos os professores e que ela sirva de inspiração em seus ensinamentos e escritos. Que ela lhes inspire sabedoria para enfrentar os momentos difíceis e que possam ministrar suas aulas com êxito. Que o Divino Espírito Santo esteja com todos os professores, lhes inspirando sabedoria na tarefa de ensinar.

 

 

 

 

 

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